Santa Catarina, um estado ímpar

Por Janine Alves, economista e colunista do Grupo RIC

Com 1,2% do território, 3% da população, produção de 4,2% do PIB do Brasil, dados de um estado que se agigantou e se tornou exemplo. Economia diversificada e eixos econômicos distribuídos nas macrorregiões amenizaram os impactos da crise, e essas mesmas características favorecem crescimento econômico na hora da retomada.

Em 2017, Santa Catarina foi o segundo no Ranking de Competitividade, sendo considerado o segundo estado mais bem administrado do país e ganhou o Prêmio Excelência em Competitividade na categoria Destaque Internacional. As reformas trabalhista e da previdência ocuparam a agenda política e da mídia durante este ano, sendo intercaladas pela crise econômica e crise política. Por sorte, as crises se dissociaram, a economia está caminhando a passos ainda curtos, porém para frente, enquanto a política caminha em um sentido paralelo ao que a sociedade almeja.

Que as reformas que ganharam os holofotes não se tornem cortina de fumaça diante das necessidades urgentes. A corrupção desviou R$ 233 bilhões nos últimos quatro anos¹. A sonegação fiscal² acumulada este ano é superior a R$ 470 bilhões, valor suficiente para cobrir o déficit nas contas públicas por três anos. A burocracia torna o produto brasileiro 33,7% mais caro do que o fabricado pelos principais parceiros. Mais de 43% do Orçamento da União é consumido pela dívida pública, enquanto para saúde 5%, educação pouco mais de 4% e apenas 1% para investimento.

O desafio em 2018 para os municípios, estados e o Governo Federal vai ser pagar as contas em dia. Para a economia, vai ser crescer além dos 2,5% projetados para o PIB e para a sociedade o desafio é sair da situação ilusória de que o Brasil se resume em dois lados, porque o futuro exige maturidade, visão e ações construtivas.

Os líderes de hoje devem construir o futuro. A mudança para a nova economia começa pela preparação das pessoas, por intermédio da educação que forma o cidadão, o capacita para o trabalho e para construir algo diferente do que estamos vendo por aí. Por fim, a lição de uma das piores crises já vividas foi a necessidade de dissociar a política da economia, fato lamentável. Se estivessem caminhando para alcançar os objetivos comuns a realidade seria bem diferente.

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