Infraestrutura como alavanca para o progresso

Por Silvio Dreveck, deputado e presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina

Os últimos dez anos mostraram a força das empresas brasileiras. Mesmo em meio a uma profunda crise, os empresários atuaram com coragem, determinação e uma gestão exemplar, provando a resiliência de seus negócios em cenários desafiadores. Ao longo desta década, o anuário IMPAR desenvolveu um importante trabalho de reconhecimento e valorização das marcas que mais se destacaram, sendo uma referência para a sociedade e um estímulo para que as empresas adotem medidas de excelência em suas atividades.

Assim como nas melhores empresas, o setor público deve atuar com o mesmo rigor em busca de uma gestão exemplar. É preciso reduzir os custos da máquina, controlar as despesas e estabelecer projetos claros de governo. Inúmeras ações devem ser implementadas neste sentido, sendo que uma das prioridades de qualquer governante para a próxima década deverá ser uma melhora geral da infraestrutura no país. A falta de investimentos na área tem sido um dos maiores entraves ao desenvolvimento nacional.

De 2001 a 2016, o Brasil manteve uma média anual de cerca de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) em investimentos em infraestrutura. Estudos indicam que apenas para manter as atuais estruturas seriam necessários investimentos de cerca de 3% do PIB. Se o interesse fosse modernizar a base – e se igualar à média mundial –, cerca de 5,5% do PIB deveria ser aplicado, mais do que o dobro dos últimos quinze anos. Este déficit pode ser conferido na precariedade das rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento e, inclusive, da matriz energética. São gargalos que tornam excessivamente alto o custo da produção no país, afastam investidores e impedem o desenvolvimento regional.

Para reverter este quadro, é indispensável promover amplos programas de concessões, que sejam atrativos aos investidores e justos à população, e reestruturar as agências reguladoras tornando-as técnicas e eficazes. O setor privado é capaz de executar as obras de infraestrutura com mais segurança, celeridade e transparência. As concessões ainda viabilizam que os governos possam fazer investimentos em áreas essenciais como saúde, educação e segurança. Este é um modelo que já foi aplicado com sucesso em diversos países e certamente alavancará o progresso no Brasil.

Aos poucos o país demonstra sinais de recuperação econômica, mas ainda é necessário um profundo estudo e debate em busca de soluções para problemas históricos. Precisamos fomentar o setor produtivo e reduzir o custo Brasil, melhorando a competitividade do país no cenário exterior e, consequentemente, gerando mais emprego e renda aos brasileiros.