Artigo: Comunicação em tempos digitais: como usá-la ao seu favor

Por Janine Costa,
Especialista em Inbound Marketing, Planejamento Estratégico de Comunicação e Marketing Digital

A comunicação está presente na história desde o que entendemos por convivência social. Das pinturas rupestres pra cá, muita coisa mudou, apesar de que os emoticons estão aí, para provar o valor das imagens. O fato é que desde sempre utilizamos símbolos para transmitir uma mensagem. A diferença é que antes, o contato humano era muito mais presente. Existe, é claro, vantagens bastante claras da evolução das ferramentas de comunicação. No entanto, apesar disso, há sempre a dualidade entre o benefício e uma armadilha.

Dentro de uma empresa, a comunicação é um dos pilares do sucesso de forma geral. Afinal, somente há alinhamento quando todos estão na mesma página. O que também vale para alcançar metas e estabelecer um bom clima organizacional. Se, por um lado, os e-mails e mensagens de aplicativos mobile aceleram a troca de informação, por outro, há o grande risco de esbarrar com ruídos e com uma má interpretação. Nem sempre é fácil imprimir o tom correto da informação quando ela é escrita. No livro “Ágeis e inovadoras: CEOs ensinam como criar empresas de sucesso”, há uma série de insights sobre o assunto que irei compartilhar.

Primeiro, basta lembrar daquele e-mail no qual você investiu um tempo considerável e, ao final, pareceu estar 100% claro e direto. No entanto, ao receber a resposta dele, uma dúvida surge: será que a pessoa realmente entendeu? Será que leu todo o conteúdo? Por que a réplica está em um tom defensivo, quando não era o que se queria dizer? Então, novamente, passa os olhos pelo e-mail e acaba convencido de que, sim, foi extremamente simples e compreensível. Diante disso, acaba sentindo-se indisposto com aquele que respondeu de uma forma tão despropositada. E, agora, irá responder (a tréplica) de uma maneira diferente, menos motivada. É um ciclo sem fim.

Os e-mails e mensagens digitais não são lá grandes amigos de relacionamentos. É bem complicado construir conexões apenas se baseando neles, principalmente dentro do ambiente de trabalho. Porém, ainda assim, não se pode descartar o uso das ferramentas. O que se deve fazer é o uso consciente. Na obra, há um depoimento de Steve Stoute, da Translation LLC e da Carol’s Daughter, no qual conta sobre como prioriza o entendimento de que cada um é responsável por quem está trabalhando ao seu lado. Ou seja, é essencial que exista transparência, sintonia, coerência e clareza. Portanto, mais do que trocar e-mails, é preciso conversar com seu colega de bancada.

Não dá para e não há motivos para fugir da comunicação na empresa. Aliás, fazer isso seria um grande erro. A questão está em procurar um contato mais direto com clientes e colegas. O ponto-chave está no tom que uma conversa imprime. Quando se fala pessoalmente, o tom poderá guiar o destinatário da mensagem em sua interpretação, ele saberá, por exemplo, o quão urgente é uma demanda. Se é preciso construir relacionamentos para obter uma equipe de alta performance e conectada, o tom e os gestos são fundamentais. Sem isso, não há uma troca ou alinhamento, um acaba conhecendo o outro apenas pelo nome, sem saber de outras características fundamentais.

Outro fator está em como o mundo digital tem transformado a comunicação. A velocidade dos acontecimentos acaba tornando algumas interações mais bruscas. Para evitar isso, um conselho do chef Mario Batali é “você somente deverá falar com a outra pessoa se estiver perto o suficiente para tocá-la”. Mais um ponto que não deve ser perdido é o da priorização das conversas com os colaboradores. Quando se circula por entre mesas e salas, se torna mais rotineiro não só parabenizar quem se destaca, mas entender com o que as pessoas se motivam e como a sua visão de líder está sendo transmitida e replicada por todos os membros da equipe.

Com isso, é possível concluir que:

  • E-mails e mensagens por aplicativos são ótimos, mas podem ser perigosos;
  • É preciso que o destinatário saiba qual o tom e a intenção do emissário;
  • Não se deve usar desculpas como rapidez e facilidade para tornar as conversas e o tom superficiais ou agressivos;
  • Se tornar responsável pela comunicação com o colega ao lado é uma ótima estratégia;
  • Nada é melhor para saber sobre a mensagem que o líder está passando do que andar pela empresa e conversar pessoalmente com a equipe.

Artigo publicado originalmente no site Ideia de Marketing


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