Comércio em Santa Catarina registra maior variação no volume de vendas desde 2012

Foto: Divulgação/Fecomércio SC

Enquanto o varejo brasileiro registra resultados negativos no volume de vendas, Santa Catarina acumula nove altas consecutivas, conforme a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE nesta terça-feira (12). O crescimento de 14,2% em julho, em relação ao mesmo mês do ano passado, reforça a tendência de recuperação do setor. O desempenho do comércio catarinense é o melhor do país, seguido pelo estado de Alagoas, com 10,3%.

Em termos de receita nominal, que aponta o que entrou no caixa, a variação foi positiva em 10,9%. Por sua vez, no acumulado de 12 meses, o avanço no volume de vendas do comércio varejista restrito (sem atividades de material de construção e veículos) foi de 6,8%. É a taxa mais alta desde dezembro de 2012 e também o melhor saldo entre todos os estados, registrando ainda um crescimento de 11,1% no faturamento de agosto de 2016 a julho de 2017.

Para o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt, o comportamento das vendas no estado atingiu um patamar mais sólido após meses seguidos de números positivos. Fatores como a liberação do saldo inativo do FGTS, o mercado interno consolidado e elevação da renda no estado pesaram na recuperação. “O comércio precisava desse fôlego”, comemora Breithaupt. “A inflação e os juros mais baixos favorecem o setor porque barateiam o crédito e trazem mais poder de compra ao catarinense, estimulando o consumo e, consequentemente, toda a economia”, afirma.

Veja o gráfico.

Setores em destaque

Dois setores que vêm se destacando nos últimos meses apareceram novamente com os melhores resultados

  • Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (41,9%), que estavam bastante prejudicados pela demanda fraca com o encolhimento nos investimentos;
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (24,5%), impactados pela desinflação dos alimentos.

O varejo nacional registrou alta de 3,1% no volume de vendas em relação ao mesmo mês do ano passado, o quarto resultado positivo consecutivo após 23 taxas negativas, com variação da receita em 1,2%. No acumulado de 12 meses, o setor fechou com queda de 2,3% e a receita nominal atingiu 2,8%.

Emprego reage lentamente

Com a retomada do setor, a expectativa é começar a reverter a situação do mercado de trabalho. Apesar de Santa Catarina ter o menor índice de desemprego, a taxa de desocupação cresceu a passos largos desde o segundo semestre de 2015. Os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostram que o comércio continua demitindo mais do que contratando (fechamento de 6.576 vagas no primeiro semestre de 2017), mas os números negativos estão desacelerando e estão inferiores aos dois anos anteriores.

“A empregabilidade é a última a se recuperar após uma recessão, por que demora para o mercado conseguir absorver todo o contingente que está sem trabalho”, explica o economista da Fecomércio SC, Luciano Córdova. “A produção e o consumo reagem antes, como já podemos visualizar”. O nível de estoque de empregos formais que Santa Catarina tinha em 2014, no período de pleno emprego, só deve recuperado em 2019.

Com informações da Fecomércio SC

Assista ao comentário de Janine Alves no SC no Ar.