Pesquisa IMPAR Tech aponta os hábitos de consumo online dos catarinenses

Além da pesquisa sobre afinidade das marcas com os consumidores, a pesquisa RICTV | TV Record, realizada pelo IBOPE Inteligência, também coletou dados sobre os hábitos de consumo online dos catarinenses. Na pesquisa IMPAR Tech, 21,70% dos entrevistados disseram fazer compras pela internet, o que pode parecer aquém das expectativas. Seria essa baixa adesão causada por desconfiança na segurança dos dados transmitidos, como os números do cartão de crédito, ou pelo fato de o cliente não poder ver e manusear o produto como ocorre em lojas físicas, ou ainda por receio de extravio ou perda da mercadoria na entrega da encomenda?

Para Julio Calil, diretor de conta na área de Opinião Pública, Política e Comunicação do Ibope Inteligência, é preciso analisar outros fatores. “Estes argumentos podem ser considerados e de fato afetam a experiência de compra pela internet. Mas existem outras barreiras importantes antes de o cliente se deparar com essas preocupações. A principal delas é tecnológica”, diz Calil. Para ele, o consumidor precisa primeiro ter o acesso à internet de banda larga, que na opinião dele ainda tem valores pouco acessíveis no país, para depois se deparar com questões de entrega, pagamento e segurança.

Segundo dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), a internet banda larga, seja ela fixa ou móvel, está presente em pouco mais da metade dos domicílios da Região Sul. “Ou seja, à primeira vista pode parecer uma baixa adesão, mas trata-se de um mercado maduro e em constante transformação que certamente irá melhorar ainda mais esses índices no futuro”, diz Julio.

Transformação do varejo

A questão inevitável que surge a partir de uma esperada ampliação do consumo digital é o que vai acontecer com o varejo tradicional. Seria ele a bola da vez da revolução online que já mexeu com jornais e televisão? “Durante algum tempo houve quem apregoasse que o varejo físico iria morrer. No entanto, a discussão hoje está muito mais em torno da necessidade de transformação do varejo físico e da convivência harmoniosa entre os canais de venda”, aposta Calil.

Entre os consumidores digitais a principal vantagem de comprar pela internet é um apelo determinante em qualquer negócio: o preço baixo. Para 64,20% dos entrevistados na pesquisa IMPAR Tech, pechincha é pechincha, não importa o canal de venda. Em segundo lugar aparece um item que é a própria razão primordial do avanço tecnológico, a comodidade, com 24,85%.

O tópico sobre o aparelho eletrônico mais usado nas compras online mostrou percentuais praticamente iguais para os dois dispositivos mais lembrados, o notebook (35,83%) e o celular (35,16%). Já o levantamento sobre os itens mais comprados reforça a opinião de Julio Calil de que, com bom acesso à internet, os consumidores não deixam de adquirir produtos frágeis por medo de extravio na entrega, como eletrônicos (líderes de venda, com 41,47%), ou mesmo artigos que naturalmente seriam provados por clientes de lojas físicas, caso de roupas e acessórios (a segunda categoria mais comercializada pelos catarinenses na internet, com 29,65%) e calçados (a terceira, com 20,33%).

Consumo online

A pesquisa sobre hábitos do consumidor online em Santa Catarina revelou ainda dados sobre uso de aplicativos de celular, nicho com grande potencial de crescimento. Entre os entrevistados, 74,41% disseram que não têm aplicativos de bancos. Aplicativos de viagem são ainda mais raros: 94,94% negaram tê-los.

Na análise segmentada por sexo, idade e renda, o consumidor digital padrão é homem, com 35 a 44 anos e poder aquisitivo das classes A e B. Foi de 54% o percentual de homens que responderam sim ao serem questionados se costumavam comprar produtos e serviços pela internet. O índice das mulheres foi 46%.

Na classificação por idade, a faixa etária entre 35 a 44 anos é a mais consumista digitalmente falando. Em seguida vêm os que têm entre 25 e 34 anos. Já o consumidor acima de 55 anos é o que menos compra, aponta a pesquisa. Na divisão por poder aquisitivo, as classes A e B formaram o grupo de maior consumo digital, enquanto o menor foi o das classes D e E.

Dados da pesquisa IMPAR Tech

Principal dispositivo utilizado para compras na internet

Notebook – 35,83%
Smartphone – 35,16%
Desktop – 18,93%
Celular comum com acesso à internet – 7,52%
Tablet/ iPad – 0,81%
Nenhuma dessas – 1,75%


Produtos ou serviços comprados com mais frequência na internet

Eletrônicos – 41,47%
Roupas e acessórios – 29,65%
Calçados – 20,33%
Móveis e eletrodomésticos – 12,80%
Livros – 7,06%
Produtos de beleza – 6,25%
Automobilísticos/ peças automotivas – 5,49%
Brinquedos – 4,01%
Artigos de Decoração – 3,22%
Ferramentas – 1,65%
Outros – 14,05%


Principal vantagem de comprar pela internet

Preço baixo – 64,20%
Comodidade (comprar de qualquer lugar) – 24,85%
Variedade (opções diversas) – 3,40%
Rapidez/ mais rápido efetuar a compra – 2,61%
Praticidade/ não precisa sair de casa – 1,74%
Opções de pagamentos/ parcelamentos das compras – 0,63%
Outros – 2,59%


Possui aplicativos de banco instalado no smartphone

Sim – 25,47%
Não – 74,41%
Não sabe – 0,12%


Possui aplicativos de viagem instalado no smartphone

Sim – 4,79%
Não – 94,94%
Não sabe – 0,27%

 

Com reportagem de Mateus Boing para o Anuário IMPAR